quarta-feira, 5 de junho de 2024

CORDEL DO MACACO

 


 O macaco Zé das prosas

Só tinha ambição

Da onça tinha inveja

Pois tinha inspiração

Era livre para andar

Por todo aquele chão.

 

E o macaco egoísta

Se achando mais forte

Foi montar no leão

Coitado não teve sorte

Levou logo um trompaço

Quase chegou a morte.

 

Ao ficar bom ele resolveu

Falar com a feiticeira

Pediria um conselho

Sabendo que era justiceira

Que desse ao leão

 Uma surra certeira.

 

Era uma tarde sombria

Fazia muito calor

Resolveu parar no rio

Viu de longe um morador

Foi com toda simpatia

Lhe pedir um favor.

 

- O que quer? o velho perguntou

- Vem aí uma tempestade

Me receba em sua casa

Sou nobre de simplicidade

O velho olhou esquisito

Suma dessa propriedade.

 

 Só quero um abrigo

Depois eu sigo viagem

Minha casa fica longe

Eu estou em desvantagem

Não recebo dos amigos

Nem se quer uma mensagem.

 

Se quiser dormir no seleiro

E partir de manhãzinha

Em casa não pode entrar

Minha mãe é velhinha

Se ver um macaco

Vai morrer a pobrezinha.

 

O macaco o seguiu

Agradeceu a simpatia

No seleiro se abrigou

Começou a ventania

Tudo se balançava

A noite foi de agonia.

 

Assim que raiou o dia

Começou aquela jornada

Pegou água e frutas

E seguiu sua caminhada

Nem se quer agradeceu

Pela acolhida abençoada.

 

Movido pela ambição

Era um macaco traiçoeiro

Ao ver aquelas bananas

Pegou o cacho inteiro

Com medo do velho aparecer

O safado fugiu ligeiro.

 

Nem olhou para trás

Chegou ao rio ansioso

Gritou para o barqueiro

Vamos estou nervoso

Dou metade das bananas

E não seja orgulhoso.

 

Com medo do peludo

Se apressou o barqueiro

Viu o macaco agoniado

Sabendo que era trapaceiro

Sentiu as pernas tremerem

Temendo o estranho passageiro.

 

Atravessaram o rio

O macaco muito esperto

Cuidou de pular correndo

Não cumpriu o acerto

O barqueiro nem viu

O safado do macaco por perto.

 

Autora- Irá Rodrigues

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