terça-feira, 11 de junho de 2024

OS BALÕES

 


 

Era tarde de domingo, os papais foram ao parque com os filhotes, o Téo e o Tico, dois ursinhos travessos.

Quando viram o urso Caramelo vendendo balões coloridos ficaram eufóricos.

- Mamãe! Papai! Vejam! Queremos balões, todas as crianças estão brincando. Disse o Téo por ser o mais arteiro.

Saíram em disparada, cada um escolheu sua cor preferida, saíram rindo ao ver os balões subindo tão alto. Como estavam amarrados com cordão, achavam que não iriam se soltar.

O vento chegou tão agitado que arrancou o balão das mãos do Tico, que chorava querendo um outro balão.

O balãozinho continuava a subir e subir.

- Eu quero meu balão! Chorava o menino, quando do nada, apareceu um passarinho, arrancou o balão das mãos do Téu, cantou ao ver subindo ao encontro do outro balãozinho que queriam chegar até as nuvens.

Os dois meninos olhavam para o céu, logo outros balões subiram deixando o céu todo colorido.

Assim, virou uma chuva de balões.

 

Irá Rodrigues

NA FLORESTA ENCANTADA

 


 

Animais e plantas estavam agitados devido a um boato espalhado pelo vento sobre uma festa que iria acontecer do outro lado do rio lá no recanto dos pássaros...

Tudo naquele lugar era motivo para festejar, dessa vez seria diferente, apareceu uma águia vindo de outro reino apresentando-lhe como contadora de histórias.

Todos queriam ir e assim o dia foi pequeno para tanto alvoroço, os passarinhos estavam sendo avisados com antecedência, assim teriam tempo para chegarem de papo cheio sem pressa para saírem em busca de sementes para se alimentarem.

A tardinha chegavam passarinhos e logo os galhos se enchiam com as mais lindas cores de penas esvoaçantes, beija-flores sugavam gotas do orvalho caindo ao anoitecer assim afinavam os bicos, enfim todos os bichos chegavam ocupando os seus lugares.

A águia toda imponente saúda todos e começa a narrar uma das suas historinhas.

Nem um bico se abria, nem um sussurro se ouvia, todos de olhos e ouvidos atentos.

- Era uma vez num reino bem longe daqui apareceu um casal muito estranho, uma cobra e um jacaré dizendo-se apaixonados.

A história continuava os olhos se esbugalhavam a curiosidade em saber o final fazia com que todos ficassem em silêncio, sem conseguir segurar a língua o tamanduá falou:

- Não estranho mais nada vivemos em uma floresta onde as rochas se movem de um lugar a outro e se esticam ou encolhem. As flores reclamam se o sol está muito quente exigindo um guarda-sol, todos reclamaram da audácia do tamanduá em interromper a história.

A águia a pedido dos passarinhos continuou.

- A cobra era uma serpente de manchas escura muito vaidosa fazia de tudo para aparecer a mais bela, o jacaré era discreto pouco falava e vivia de cara feia, derreteu-se de amor pela cobra e chega o belo dia do casamento.

Antes que a cobra falasse sim o jacaré deu uma bocada engolindo a pobre sem ao menos dar chance de se defender.

 

Moral da história- jamais confie em quem não conhece.

 

 

 

Irá Rodrigues
Santo Estevão - BA – Brasil

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HARMONIA NA FLORESTA

 

 


 

Todos viviam numa grande harmonia, as árvores cuidavam de proteger os bichos, a brisa tomava conta das flores, cada um tinha a sua tarefa sempre cuidando do outro.

A cigarra tinha a tarefa de alegrar as manhãs, as tardes a sinfonia eram por conta dos passarinhos, à noite a serenata era obrigação dos grilos. Ali não sobrava espaço para o silêncio, quando isso acontecia dona brisa cuidava de chamar o vento que assanhava as árvores balançava as folhas fazendo batucada no farfalhar de bater asas de borboletas.

Assim que o sol dava bom dia! Chegavam as abelhinhas fazendo zum... zum... Com seus baldinhos colhendo o néctar para produzir mel, a centopeia que além de exibir seus cem pezinhos era muito curiosa e tudo queria saber e foi correndo saber o que as abelhinhas faziam com tantos baldinhos de mel.

- Bom dia bichinha rastejante de cem pezinhos! Aonde vai com tanta pressa? Parece que vai atropelar a brisa. Disse a abelhinha.

- Bom dia abelhinhas! Estou aqui matutando umas curiosidades,

O que fazem com tantos baldinhos de mel? Vocês trabalham, trabalham e não descansam.

- Centopeia querida não pode parar de colher o néctar para falar com você ou o mel se congela. Logo chega o verão as flores secam e onde iremos encontrar mel para adoçar as crianças. Por isso precisamos colher, colher e assim que aqui não tiver mais flores mudamos para outra região. Disse a abelhinha mais velha enquanto as outras não paravam de colher o néctar das flores amarelas.

- Cada um com a sua atividade, vou ali comprar sapatos novos e não preciso trabalhar. Disse a centopeia toda vaidosa.

- Oras! Oras! De que vale a vida sem uma atividade, gritaram as abelhas enquanto a centopeia saia agitada atropelando nos seus cem pezinhos.

E assim continuava a vida na floresta encantada.

 

Autoria- Irá Rodrigues

http://iraazevedo.blogspot.com.br/

Diretora da divisão de Literatura Infanto-juvenil

O RATINHO GULOSO

 


 Tico era um ratinho muito do guloso, só tinha de grande barriga e orelha. O bichinho era cotó teve seu rabinho arrancado por um gato malvado e assim ele parecia uma bola de pelos castanhos.

Quando o dia amanheceu, Tico pulou da rede onde dormia, tinha sonhado que estava numa fábrica de queijos se refastelando com aquele banquete.

-Hum! Lambeu os bigodes até sentindo o gostinho dos queijos frescos. -Pensava o ratinho guloso.

Sentiu a barriga roncar, espreguiçou e saiu para fuçar o lixo da casa vizinha, ali com certeza encontraria um belo café com migalhas de pão e bolo.

Para sua surpresa, a porta estava entreaberta e com toda a sua gula começou a mexer o nariz farejando o cheiro apetitoso que vinha lá de dentro.

Nem olhou para os lados, entrou correndo na cozinha.

- Vou me fartar- Pensou Tico escalando a perna da cadeira, arregalou os olhos quando viu a mesa cheia de coisas gostosas. Sem pestanejar começou a degustar de tudo até que viu o queijo, comia com tanta gula até que a barriga ficou estufada, agora sim parecia mesmo uma bola de pelos.

Coitado de tanto comer deu moleza e ali mesmo adormeceu.

O que será que vai acontecer com Tico?

Agora é sua vez de dar fim na história.

 

          Autora- Irá Rodrigues

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O PEIXINHO GULOSO

 


 

O peixinho Zezé era muito guloso, comia, comia e nunca estava satisfeito, quando via algo se mexer corria depressa para abocanhar.

A peixinha Lili sempre o aconselhava:

- Zezé meu companheiro, não seja tão guloso assim, vá com calma ou uma hora é fisgado pela isca de um anzol.

O peixinho Zezé mexia a boca empinava as antenas e fingia não escutar, saia sem dar atenção aos conselhos da peixinha.

Todas as tardinhas anzóis era jogados nas águas do lago, os peixes mais apressadinhos não escapavam e pelo anzol eram fisgados.

Um dia, estava o peixinho Zezé beliscando alguns farelos de algas, quando uma bela e enorme isca apareceu à sua frente, guloso como era apressou-se e... Abocanhou.

O anzol prendeu em sua boca, o peixinho se debatia lutando para se soltar sem conseguir respirar, quando Lili vendo aquela agonia gritou os peixes maiores para socorrer o seu companheiro guloso, foi aquela correria conseguiram cortar a linha deixando o anzol preso no peixinho que gemia e se contorcia com os olhinhos lacrimejando de dor.

A peixinha Lili implorava para que salvasse o seu Zezé e agoniada partiu a procura da piranha.

- Amiga, amiguinha corra venha salvar o Zezé ele tem um anzol preso na boca e se não tirar o pobrezinho guloso morre sem conseguir respirar.

A piranha saiu em disparada, com seus dentes afiados arrancou o anzol que voou longe deixando o peixinho respirar aliviado.

O peixinho Zezé com certeza aprendeu a lição, mas será que vai deixar de ser um apressado guloso?

Bom se não aprendeu com essa, azar dele. Disse a peixinha Lili.

Autoria- Irá Rodrigues

 

 

O RATINHO QUE MORAVA NO PINICO

 


 

 Tonico era um ratinho travesso e muito do atrevido, discordava de todos e nem aos pais obedecia. E assim com as suas teimosias gostava de infernizar o pobre do gato que dormia tranquilo na sua casinha ou mesmo quando o pobre sentava na janela para olhar a rua, o rato subia puxava o rabo e saia em disparada se escondendo em seu pinico, lugar onde o gato se recusava a chegar perto pois ficava bem ao lado da toca da onça que sempre protegia aquele sem vergonha.

Os pais Dom Ratão e dona Ratinha estavam cansados de alertar o filho para não provocar o gato, uma hora ele cairia nas garras afiadas e não conseguiriam salvar. O atrevido do rato gargalhava confiando em sua esperteza e dizia mexendo seu nariz arrebitado:

- Nenhum gato vai conseguir pegar esse ratinho esperto.

A mãe não se conformava com as estripulias do filho e cansada de falar ameaçava a jogar fora o pinico onde ele dormia e se sentia seguro, o ratinho implorava que fizesse tudo menos tirar o seu cantinho seguro. A mãe se retirava deixando que ele resolvesse as suas encrencas.

Certo dia o gato dormia com o rabo pendurado na almofada e logo o rato pensou:

- Vai ser bem divertido dar uma mordida nesse rabo peludo e sair correndo. Jamais o gato vai conseguir me pegar. Tenho as canelas pequenas, mas são ligeiras. Gabou-se o rato.

Quando chegou bem pertinho quase morre de susto, sua sorte foi a chuva que caiu e como o gato não gostava de molhar seus pelos macios ele saiu em disparada com a língua de fora até se sentir seguro em sua casinha.

Antes de respirar aliviado o pai pegou pela orelha dizendo;

- Se não parar com as suas malandragens você vai morar com seus avós no reino das ratazanas e de lá só vai sair acompanhado. E sem ter o seu pinico- Ameaçou.

O rato malandro prometeu não ser mais desobediente, pois não queria se afastar da sua casa vivendo ao lado dos pais.

Depois daquele alerta o rato aprendeu que a desobediência só pode trazer problemas e que deveria ter cuidado e não ficar infernizando o pobre do gato.

E assim o ratinho se tornou o mais obediente dos ratos em toda aquela região. Mas se a coisa o complicasse corria para seu esconderijo. o amado pinico.

 

 

Autora Irá Rodrigues

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O DESTINO DA PIABA

 


A chuva caia tão forte, mas tão veloz que o rio logo transbordou, a pobre da piaba tão miudinha se agarrava nas folhas, coitada não tinha forças para vencer a correnteza, então começou a implorar.

- Por favor não me leve. Suplicava já quase se afogando, eu preciso respirar e não consigo.

A chuva ouvia os lamentos daquele peixe miudinho sendo levado pela correnteza e sentiu pena, lá do alto enviou uma gota gigante que sugou a piabinha levando para a margem onde o rio corria sossegado e lá soprou deixando a piaba tontinha, tontinha, depois do susto ficou calma e voltou a sua tranquila vidinha de piaba de águas calmas.

 

Autora -Irá Rodrigues

 

 

TARTARUGA QUEIMADINHA

 


 

No meio da caatinga, lá no interior do nordeste vivia uma pobre tartaruga com o casco todo torto queimado pelo fogo das coivaras feitas pelo homem sem pensar nos pobres animais que vivem naquele local.

Morreu toda a sua família sobrando apenas ela que agora andava sozinha na maior tristeza, os bichos que voltaram passavam por ela e nem olhavam tão feia que ficou, a tartaruga sentia falta de um dedo de prosa e lamentava a falta que sentia de todas as outras tartarugas.

Certo dia um velho que morava por perto encontrou a tartaruga e sentindo pena da situação levou para sala casa colocando-a num cercado junto com as galinhas, todos os dias trazia folhas frescas e nunca faltava água, assim ela foi se sentindo protegida e quando foi solta não afastava de perto, ali estava segura e gostava do carinho que receba recebendo até o nome de Queimadinha. Era só chamar seu nome e logo ela aparecia no terreiro, bebia água, comia folhinhas verdes e logo tirava uma soneca na sombra de um gravatá que o velho plantou para servir de sua casinha, enquanto cochilava o velho lhe contava casos acontecidos naquela região.

Queimadinha parecia entender e tranquila fechava os olhinhos. O velho que também vivia sozinho voava na sua imaginação enquanto inventava suas histórias.

Ao ouvir os causos logo chegavam alguns animais como a coruja Dandara que nem piscava seus olhos esbugalhados, o coelho José que só colocava as orelhas fora da toca para escutar e até as galinhas chegavam apressadas para não perderem a prosa, e não poderia faltar seus fiéis companheiros, o cachorro Farofa e o gato Zangão.

E assim Queimadinha ganhou uma nova família.

 

Autora Irá Rodrigues

DONA BORBOLETA

 

 


 

Quando saiu do casulo, olhou o mundo lá fora, assustada arregalou os olhinhos. Pensou;

- Como vou viver no meio de tantas coisas estranhas, tenho medo de me perder.

Aos poucos a própria natureza colaborou com a sua nova vida. Certa manhã sacudiu as asinhas, empinou as antenas, esticou as perninhas e bateu asas para conhecer aquele encanto de cores.

Ao pisar nas pétalas de uma flor, olhou ao redor e tremeu ao ver tantas lagartas subindo no tronco.

A lagarta então olhou e disse:

- Não se espante, você também foi assim como nós, podemos ser até feias, mas logo seremos tão lindas como você, livres batendo asas na suavidade da brisa.

A borboleta nada disse e foi descobrindo o lugar, até que viu um sapo enorme com a língua de metro pegando um mosquitinho inocente e tremeu, o medo foi tão grande que ela na flor se encolheu temendo ser capturada pelo sapo. Que ao ver a tremedeira da pobre borboleta esbravejou:

-Oras! oras! não tenha medo, você é um tiquinho, não vou sujar minha língua sem ter o que matar a minha fome.

A borboleta deu aquele suspiro agradecendo ao sapo e foi conhecer o jardim bem longe daquele sapo.

Toda empolgada viu que logo adiante tinha um mundo bem maior que aquele jardim e quando outras borboletas apareceram seguiu o bando em direção a floresta, que de início parecia misteriosa, mas era cheia de encantos e magia.

Encontraram passarinhos, lagartas e até uma cobra gigante passeava sem pressa.

e as borboletas sabendo que o tempo delas era pouco aproveitaram para bailarem nas mais lindas flores daquela floresta.

 

Irá Rodrigues

A COR DO AMOR,


O ratinho branco vivia com a sua família onde tudo era branquinho como nuvens de algodão.

O ratinho sempre cantava assim:

-Como sou feliz!

Sou branco, tão branquinho como a neve,

Doce feito açúcar,

Macio como algodão

Tenho a cor de um dia de Sol

Do leite e da paz.

Passavam os dias, o ratinho ficava cada vez mais entediado, cansado de tudo a sua volta.

- Papai! O mundo só tem essa cor?

O pai já velhinho responde:

- Não sei! Para descobri viaje e saberá. Aconselhou o pai.

O ratinho criou coragem e partiu.

Passavam os dias, nada mudava. Quando de repente deu um pulo ao avistar um mundo todo verde. Quando sai da vegetação um ratinho verde;

Os dois se encararam: O ratinho verde disse: Sou como a natureza, o meu mundo é todo verdinho e sou muito feliz.

O ratinho branco estava encantado ao descobri que existia um mundo de outra cor.

- Vamos! O mundo tem outras cores e posso provar, disse o ratinho verde.

Os dois saíram, quando aparece a sua frente um ratinho todo azul, pulando na frente disse: Eu sou o ratinho da cor do céu, do mar e da esperança. Querem me seguir? – Perguntou aos ratinhos branco e azul.

E assim, os três seguiram até encontrarem um ratinho preto. Assombrado o ratinho branco pulou e disse:

- Preto! Tão preto como a noite.

O ratinho preto sorrindo responde:

- Sou o ratinho negro da noite, da cor do cafezinho, do chocolate, das nozes e de tantas outras gostosuras.

Os três ratinhos se abraçaram e felizes entenderam que não é a cor que faz a diferença e sim o amor.

  E o amor não tem cor.

Irá Rodrigues

sexta-feira, 7 de junho de 2024

VALENTINA E SUA BONECA DE PANO

 


 

Dizia a sua boneca Clarinha, que a floresta era encantada que tudo lá era feito de magia e que as fadas e os anõezinhos eram capazes de transformar o que fosse feio em bonito e com certeza iria transformar a Clarinha numa linda e espevitada menina.

E quando Valentina ouve o canto dos passarinhos ela pula de felicidades, sabia que estava pertinho da casa das fadas.

E confabulando com a sua querida boneca falou esfuziante: 

- Clarinha você chega na casa das fadas como minha boneca e volta saltitando pela floresta com suas próprias pernas. Ah! Que felicidade!

Quando a tarde já engolia o dia. Os passarinhos apressados corriam em busca dos seus ninhos, as flores se fechavam para enfrentarem o sereno da madrugada, o céu começava e se pontilhar de estrelas e a floresta começava a escurecer, quando ouve uma voz dizendo:

- Volte correndo para sua casa, a floresta a noite é misteriosa e não saberá se defender dos perigos.

Valentina ficou assustada, abraçou a sua boneca quando viu surgir a sua frente voando entre as árvores a mais linda fadinha dos sonhos. Eram tantas luzinhas que ela lançava da sua varinha mágica que parecia estar no céu no meio das estrelas.

E sorrindo a fadinha disse:

- Sua boneca Clarinha será sempre sua amiguinha, não deseje transformar no que ela é. E partiu desaparecendo na escuridão.

Valentina pensou: A fada está certa, seremos sempre amigas. E assim voltou para casa com a certeza da felicidade entre ela e sua boneca de pano.

 

Autoria- Irá Rodrigues

O SABIÁ

 


 

O sabiá só sabia reclamar, acordava bem antes do Sol espreguiçar, sacudia as asas estufava o peito e no seu canto sonolento reclamava:

- Aonde foram todos os passarinhos que não vejo para começar a sinfonia. Oras! oras!  O jardim está sem cor as flores ainda dormem, falta o som do canto das cigarras e dos nobres companheiros passarinhos.    

Nessa manhã o céu estava nublado, gotinhas de chuva se misturavam com a neblina e nem mesmo as borboletas se atreviam a molharem as suas asinhas deixando o sabiá cheio de curiosidades.

Tudo parecia ainda dormir, aquele silêncio, apenas um atrevido sabiá querendo mandar até no tempo.

O curió todo enroladinho em suas asas no aconchego do ninho se sacode olha a folia do sabiá, molha o bico numa gota de orvalho e diz ainda rouco:

-  Amigo sabiá com esse friozinho só dá vontade de comer algo bem quentinho e continuar dormindo cada em sua casa. Pare de tanta folia. Veja, o jardim está vazio, nem as abelhas apareceram para coletar o néctar, lagartinhas quentinhas nas folhas, nem as formigas se atrevem a circular pelo chão frio.

O sabiá sem nada concordar viu o bem- te- vi abrindo o bico bocejando e num balançar de penas indagou:

-  O que está acontecendo?

- Oras! respondeu o sabiá. Não vê o atraso de todo o jardim, Até o senhor Sol anda preguiçoso sem querer acordar.

O curió resolveu entrar na conversa, - Vejam lá na roseira duas bobas lagartinhas picotando as folhas sem se importarem com a chuva que tá engrossando,

De lá as lagartinhas responderam:

- Não temos medo de chuva e precisamos comer e ficar bem fortes, logo estraremos no casulo e vamos sair lindas borboletas fortes e sadias para voarem livres por esse jardim.

O sabiá então pensou: Se o tempo hoje é de chuva e frio, vou tomar banho, escovar o bico, comer boas sementes fresquinhas e voltar para o aconchego do meu ninho.  E aviso, hoje não terá cantoria palavra do mestre sabiá. Enquanto o jardim continuava enroladinho no silêncio.

 

Autora-  Irá Rodrigues

AS ESPERANÇAS DE JUCA

 


Era uma vez...

Lá bem no meio do sertão morava o menino Juca com sua família cada um em sua casinha espalhada naquela região que nunca chovia. Era tão seco que as árvores só viviam nuas sem uma folhinha para fazer sombra. Os passarinhos passavam por ali e fugiam apressados em busca de um lugar onde pudessem viver.

Mas Juca era um menino sonhador, nunca perdia as esperanças. Todas as noites ele se deitava na cama deixava a janelinha aberta e ficava horas falando com uma nuvem que segundo ele, lhe ouvia e até sorria. A nuvenzinha muito gulosa tomava muito suco, sorvete e bebia toda a água das outras nuvenzinhas e assim ficava com a barriga tão cheia e fazia tanto xixi que Juca ouvia Ploc, Ploc, Ploc a noite toda no telhado e pela manhã saltava da cama e corria para ver o terreiro molhado, mas ele continuava do mesmo jeito a terra seca sem um pinguinho de água.

Juca olhava a nuvem e dizia:

-Deveria beber mais água, tomar mais sorvete, muito suco e fazer xixi de verdade. Coloca seus óculos e olha cá pra baixo, as plantas todas peladas, sem chuva elas não brotam, os passarinhos fogem e sem galhos floridos não fazem seus ninhos.

Veja o riachinho se lamenta querendo a folia de ver água rolando e os peixinhos chegando felizes.

E como vamos viver se você não fizer xixi?

E assim Juca vivia na sua inocência de criança conversando com a nuvem.

Um certo dia cansado de ver tanta seca ele foi lá,no alto do morro assim pensava ele que chegando mais perto a nuvem iria lhe ouvir .

-Sabe nuvenzinha amanhã é meu aniversário, imagine a felicidade se eu pudesse correr na chuva, tomar banho no riacho e até fazer barquinho com folhas e ver descer na correnteza.

E sem tirar os olhos das nuvens ele continua. Sabe, até sinto cheirinho de chuva e o Ploc, Ploc quando dança no telhado.

E Juca dá um pulo quando ouve uma voz dizendo:

- Melhor correr se quiser ouvir o Ploc, Ploc no telhado, vamos fazer xixi e não vai ser pouco.

E quando Juca arregalou os olhos o céu escureceu, os trovões gritavam com tanta força que fez com que Juca voasse nas suas canelas finas.

E logo caiu um temporal que durou horas e horas. O dia emendou com a noite e quando o outro dia amanheceu parecia um outro mundo. O riachinho roncava, os tanques perto da casa pareciam espelhos transbordando de água. Até às árvores pareciam felizes. Logo se ouvia canto de passarinhos, a vida foi mudando,naquele pedaço de mundo que sofria pela seca agora era o mais belo lugar para se viver onde tudo que se plantava dava com fartura.

Juca cresceu dizendo que nunca deve se perder a esperança e só precisa ter fé em Deus, ele não abandona seus filhos.

 

 

Autora Irá Rodrigues

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A SEMENTE CHORONA

 


 

Chegou o verão o cacho de coquinhos secou, com a ventania foram lançados separados não se sabem onde cada um foi parar. Com certeza tiveram destinos diferentes do que a mamãe sonhava para seus filhotes que era cair ali pertinho e ver cada um se tornar uma linda árvore.

Mas o destino mudou tudo, logo veio um temporal e arrastou os coquinhos, levado entre garranchos apenas um foi levado noutra direção assim ele pensava que todos os seus irmãos estavam juntos.

O verão era tão forte, o coquinho estava exausto, tão magrelo que faltava forças para se movimentar. E o coquinho se lamentava, tantos planos de crescerem juntos e formarem uma linda família onde se balançariam ao sabor do vento sentindo suas folhas se tocarem, o coquinho nos seus lamentos ficava imaginando a festa dos passarinhos bicando os frutos maduros.

E assim nessa tristeza vivia a sementinha chorona. O tempo foi passando, as esperanças desaparecendo, abandonado até pelos bichinhos que gostavam de carregarem coquinhos para suas tocas. Era um abandonado pelo destino e só lhe restava dormir para não sofrer,

Mas para Deus tudo é impossível, depois de dias sofrendo no Sol ardente o céu de repente escureceu, o coquinho achava que era a noite e quando sentiu o frescor dos pingos de chuva caindo ele sorriu, nada estava perdido, e dias e dias de chuva fez com que a sementinha chorona se tornasse a sementinha sorridente. Agasalhada entre folhagens secas ela começou a germinar, ganhou duas folhinhas, se sentia uma menininha, o tempo foi passando ela foi ganhando folhas e logo estava se balançando com a brisa que soprava ao amanhecer.

Toda orgulhosa ela olha do alto e pode avistar outras plantas iguais, com certeza a sua família todas reunidas. E quando brota o primeiro cacho dos mais lindos coquinhos ela já se considera uma mamãe feliz.

 

Autora- Irá Rodrigues.

 

A REVOLTA DO TIMTIM


 

O gato chegou correndo

Invadiu logo a cidade

Nem parava para ouvir

Saia em velocidade

Queria ouvir do cão

Toda a sua verdade.

 X

Numa rua sem saída

Encontrou um garoto

Perguntou se viu o cão

Um safado sem destino

O menino só lhe disse:

Sou filho de nordestino.

X

Esse cão aqui não vi

Só conheço o do pastor

Ele é o nosso vizinho

Conhecido por doutor

Que fala todo orgulhoso

Do seu cão labrador.

X

Menino me leva lá

Pela sua descrição

Esse é o cão que procuro

Comeu toda minha ração

Me deixando faminto

E partiu sem direção.

X

 Posso até ser um gato

Mas também sou valente

Ele não me faz de besta

Vamos seguir em frente

Antes que ele fuja

E a minha raiva aumente.

X

 Ao chegar na esquina

Bem ao lado da estação

É aquela casa amarela

Siga nessa direção

Se o cão não é o seu

Vai ser uma confusão.

X

 Logo a rua se encheu

De todo lado vinha gato

Vendo a fúria do estranho

Por ali não ficou um rato

Era um corre, corre

Se escondendo no mato.

X

 O gato estava furioso

Sem mesmo ter permissão

Ao avistar o safado

Deitado no seu vidão

Nem pensou duas vezes

E logo pulou o portão.

X

 O safado nem notou

O gato não andava

Com seus pulos ligeiros

Parecia que ele voava

O susto foi tão grande

O cão nem esperava.

X

 Ao ver a raiva do gato

Feito um monstro voador

O cão pulou a janela

Tremia de tanto medo

Numa cama se enfiou

Fugindo daquele pavor.

X

 O gato gritava safado

Vem aqui vou te pegar

Nessas garras afiadas

Ensino a não roubar

Se quer uma boa ração

Vai então trabalhar.

X

 O dono do cão apareceu

E o gato gritou bravo

Não venha me tapear

E se fazer de conchavo

Traga esse cão malandro

Pra reparar o agravo.

 X

Chamem logo a polícia

Esse gato enlouqueceu

Acusar o meu cachorro

Mas o que aconteceu?

Onde está meu amigo

 Aqui não apareceu.

X

 O gato se enfurecia

O homem veio armado

Gritou o gato sisudo

Seu cão é um malvado

Não vai ser covarde

Matar um gato desarmado.

 X

A rua estava lotada

Logo chegou o carteiro

Crianças e adultos

E até o açougueiro

Gritavam pra o homem

Tragam lá o trapaceiro.

X

 Nisso o cão só tremia

Já virava gozação

O homem que era valente

Perdendo até a noção

Discutindo com um gato

Isso virou humilhação.

X

 Entrega logo o cão

E juro eu vou embora

Ou daqui eu não saio

Disso fiquem de fora

Quero falar com ele

E tem que ser agora.

X

 A polícia chega gritando

Mande o cão aparecer

Se ele nada deve

Tudo vai se resolver

E se for o culpado

Acredite vamos prender.

X

 Uma multidão se formava

De todo canto veio gente

Saia até uma prosa

Um dueto e um repente

Quando o homem Chegou

Com o cão a sua frente.

X

O gato se arrepiou

 Montou no lombo do cão

Agora é eu e você

Não vai ter compaixão

Ou devolve o que pegou

Ou acaba num caixão.

X

Era bicho de todo canto

Veio até o macaco Tião

Pulando e gritando

Arranca o coro desse cão

Outro die me atacou

E não teve compaixão.

X

O pobre do cão rosnava

Sem saber se defender

De tremedeira desmaiou

E foram lhe socorrer

O gato não acreditava

Que o cão iria morrer.

X

E quando deu um deslize

O cão saiu em disparada

O gato arrancou da cintura

Sua velha espingarda

O tiro nem saiu

Só uma bomba molhada.

X

 Até hoje o gato procura

Aquele cão safado

E no dia que encontrar

 Deixaria esquartejado

Ladrão nenhum nessa vida

Lhe faria de abestado.

X

 

Autora- Irá Rodrigues

quarta-feira, 5 de junho de 2024

CORDELZINHO JUNINO


Vem com a gente
Vamos logo animar
Essa festa junina
No nordeste é popular
Então chega correndo
O forró vai começar.
x
Junho já entra festivo
Por aqui é tradição
Tem roupa colorida
Uma bela competição
As meninas arrumadas
Começa a animação.
x
Tem fogueira no terreiro
Logo solta um rojão
Amendoim e pipoca
Fogos e balão
Gritando o santo festeiro
Dando via ao São João.
x
Essa festa popular
Na cultura nordestina
Tem o santo casamenteiro
Anima rapaz e menina
Todo mundo quer casar
Ficar no caritó é sina.
x
O mês todo tem folia
Santo Antônio casamenteiro
As moças fazem pedido
São João é o festeiro
Tem quadrilha e forró
E São Pedro o chaveiro.
x
Esse mês é marcado
Com grande animação
Vem dia dos namorados
E logo é São João
Tem o xote e o xaxado
Relembrando o Gonzagão.
x
AUTORIA-Irá Rodrigues
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OS BALÕES

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